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... algures na costa portuguesa mesmo a sul da foz do rio Mondego. Era, como se dizia então, um bom pesqueiro. Havia fartura de pescado e as artes, ainda novas e de não fácil manuseio, vinham carregadas até á vergueira de espécies saltitantes e ...
corda01
Sexta-feira, 23 de Setembro de 2016

Naufrágio do navio-motor João Costa

 

Faz hoje 64 anos que naufragou, ao largo dos Açores, o navio João Costa, da frota de pesca de bacalhau à linha da Figueira da Foz.

Muitos figueirenses e covagalenses, dos seus 73 tripulantes, foram protagonistas de tão trágico acontecimento.

Fica aqui em jeito de homenagem este simples tributo.

 

Carregue no PLAY e ouça a voz da Ana Margarida.

 

 

O navio-motor JOÃO COSTA tinha largado de Lisboa a 15 de Abril de 1952 rumo aos Bancos da Terra Nova e Gronelândia.

Era um barco construído em madeira nos Estaleiros Navais do Mondego, na Murraceira, em 1945. Tinha cerca de 48m e era propriedade da Sociedade de Pesca Luso-Brasileira, Lda., sediada na Figueira da Foz.

Com 73 homens de tripulação, naquela campanha e, usando o método da pesca de bacalhau à linha com um pescador num dóri, pescou, carregou e salgou - ao longo de 5 meses - 11.000 quintais de bacalhau.

Assim carregado, iniciou a viagem de regresso à Figueira da Foz, no dia 18 de Setembro de 1952.

 

Cinco dias depois o navio deixou de comunicar com Lisboa. Perderam-se todas as comunicações via rádio.

A 23 de Setembro, pelas 20h00, quando boa parte da tripulação confraternizava comemorando o aniversário do camarada Penicheiro sentiu-se uma explosão seguido de incêndio na casa das máquinas.

Nesse momento o JOÃO COSTA navegava a escassos três dias de ter o cabo Mondego à vista e os familiares na barra à sua espera.

Rapidamente se constatou ser o fogo incontrolável e foi célere a decisão de abandono, face ao perigo de novas explosões nos tanques de combustível.

Os pescadores abandonaram o navio distribuindo-se por 22 dóris e, por ali se deixaram ficar ligeiramente afastados, assistiram ao afundamento do navio que submergiu totalmente na manhã do dia 24.

Começou então a tragédia da tripulação, perdida no mar sem água, nem alimento.

 

O capitão, João José Silva Costa, determinou que os dóris se dividissem em dois grupos e com o auxilio de duas bússolas tentaram navegar rumo à ilha de S. Miguel, que sabia estar a escassas 60 milhas para sul.

Os homens nos dóris tentavam, por todos os meios manter-se agrupados. Mas, se durante o dia era relativamente fácil permanecerem juntos, navegando à vela, já o mesmo não acontecia durante a noite e era terrível a dor e frustração de constatar, no dealbar da primeira luz do dia, o desaparecimento de alguns camaradas afastados por ventos e correntes.

A sede era tanta e tão terrível. Só ao terceiro dia os náufragos conseguiram aproveitar água da chuva que caiu em abundância.

A 27 de Setembro quis o destino que o navio Americano COMPASS, por mero acaso, encontrasse e recolhesse 12 náufragos, transviados dos outros. Lançou de imediato o alarme a toda a navegação na área e, como rumava ao Mediterrâneo, decidiu continuar o seu rumo e deixar os náufragos na costa do Algarve em Lagos.

Esta noticia chegou rápido à Figueira, suavizando o sofrimento que o silêncio das comunicações provocara. - Já se tinham salvo 12 homens. Não se sabia a identidade dos salvados e a angustia continuava. 49 dos seus tripulantes eram figueirenses de Buarcos, Vila Verde, Cova-Gala.

Finalmente, a 30 de Setembro, a cidade da Figueira da Foz recebeu com júbilo a notícia oficial de terem sido salvos todos os tripulantes do navio-motor JOÃO COSTA.

35 náufragos foram recolhidos pelo navio STEEL EXECUTIVE, logo seguido pelo HENRIETTE SCHULTE, que salvou os restantes 27 homens.

Desembarcaram todos em Ponta Delgada, Açores.

 E as pobres mulheres, pais, mães e filhos, que há dias lutavam com aquela horrível dúvida, deram largas à sua alegria, à qual se juntou toda a cidade festivamente.

Imagine-se a sua imensa alegria quando, passado alguns dias, puderam abraçar os seus familiares regressados sãos e salvos.

 

publicado por João Pita às 02:18
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Sábado, 27 de Agosto de 2016

Terra, Vida, Saber, Ser.

 

O velho pescador, sentado com os antebraços apoiados na pedra da falésia de fronte ao mar, desenhava.

Mirava o mar e desenhava. Pintava.

Quem por ali passasse distraído diria que pintava as ondas, o mar e o horizonte.

Puro engano.

Olhando com mais atenção via-se que desenhava a própria mão. O braço esquerdo apoiado no cotovelo, sobre-elevado em diagonal, mão ligeiramente descaída e os dedos arqueados em concha, formando com o polegar uma espécie de gruta, de nicho. Um abrigo.

Contornou e reforçou o desenho do polegar, da unha e realçou a aspereza dos calos que uma vida inteira de trabalho no mar, ali deixara testemunho.

No interior da concha de abrigo em que se transformara a sua mão, desenhou uma flor, um cravo. Inundada de luz vermelha refulgente, mas tão frágil, tão fugaz, tão suspensa.

O velho pescador descansou o lápis mirou uma vez mais a flor, o cravo e, de seguida, alongou o olhar para o mar. Aí se ficou, ao longe se perdeu.

Num sobressalto retoma o lápis.

Desenha frenético, na parte inferior do papel, um chão de terra castanha atapetado pelo “Funcho do Mar” e salpicada, aqui e ali, do verde do “Chorão-da-Praia”. À esquerda, meia dúzia de viçosos “Lírios das Areias” escondem o emergir da terra do braço e do pulso. Ao centro, mesmo por debaixo da falange do polegar, três pedras húmidas e juntas abrigam um tufo de “Madressilvas”.

 

No centro do papel, sob a mão e à sua sombra, desenha um livro entreaberto pelo meio. Repousa sobre a cruz de uma âncora - um ferro almirantado - cravada no chão de terra.

A haste desta âncora alonga-se por de baixo do pulso e entrelaça-se pelo cepo a uma enxada cravada na terra. O longo cabo da enxada eleva-se em diagonal por detrás da mão e aponta ao cimo.

O velho pescador pára de desenhar, olha o mar uma e outra vez e retoma.

Desenha agora os contornos da folhas do livro e o mesmo ganha volume e conteúdo.

Procura um lápis mais grosso e escreve nas duas páginas abertas:

 

Na da esquerda, em cima: Vida.

Junto ao rodapé: Ser.

À direita , no topo: Saber.

Lá em baixo: Terra.

 

Levanta-se agora o pescador, estica as pernas e as costas já doridas. Olha o papel a sua obra e mordisca o indicador direito pensativo.TerraVidaSaberSerWEB.jpg

Torna a sentar-se e desenha uma hera trepadeira. Nasce do chão húmido, sob o livro e rente ao ferro almirantado. Cresce e trepa sinuosa até ao alto, à ponta do cabo da enxada. A ele se enrosca uma, duas voltas.

Suporta uma enorme planta, sem flor, meio seca e com as raízes suspensas no ar.

No canto superior esquerdo traça a risco esparso um sol que inunda de luz e calor todo o desenho.

Não resisto mais, chego-me ao velho pescador, que há muito tinha, discreto, topado a minha curiosidade.

- Ó ti Zé, desculpe a curiosidade. Porque desenhou a planta meio seca, suspensa no ar e sem ter as raízes na Terra?

Sorriu, mirou-me fundo nos olhos, deu-me o desenho e disse:

- Toma jovem, é para ti.

Olha-o com atenção.

Quando souberes a resposta a essa pergunta volta aqui.

Vem ter comigo e acabamos de o desenhar juntos.

 

 

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publicado por João Pita às 00:22
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Domingo, 14 de Agosto de 2016

Negrume de fogo

Negrume de fogo

 

Pairam vampiros negros, alados
Rolam negrumes de cinza em desnorte.
Línguas, labaredas, troncos tisnados....
Chiam arrepiantes leteias serpentes
Escarnindo uivos de anunciada morte.

 

Preces de angústia, impotente agonia.

 

Do limbo negro do telúrico inferno
Tisnados emergem, arrastando o caminhar
Anjos da paz de vermelho e negro vestidos.
Ombros caídos, ansioso e lívido olhar
Lágrimas secas cavam nas rugas leito,
Arfando angústia em dorido peito.

… pó da terra.

País sem norte!

 

Globalização de fogo ávido de ter
Devora queima, assa, mata e torra.

Monstro acéfalo e disforme.

 

Utopia, precisa-se!!!

 

Volte o verde, azul e fresco
Volte o Homem e a Natureza

 

Crie-se a Globalização Ambiental
E de todas as naturezas

 

Incluso a humana...

 

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publicado por João Pita às 01:21
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Sábado, 16 de Julho de 2016

Aventais Bordados

 

Os aventais Bordados das Mulheres da Beira-Mar em edição de postais de correio.

Uma produção do Clube Mocidade Covense.

Cova-Gala, Freguesia de S. Pedro

Figueira da Foz

Portugal

 

publicado por João Pita às 00:15
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Quarta-feira, 29 de Junho de 2016

Mulheres do mar.

 

Carregue no PLAY para ouvir a Ana Margarida.

 

 

Sou a Ana Margarida, neta de pescadores, menina mulher da Cova-Gala onde nasci, vivo e trabalho.

Ainda não me conhecem, mas prometo tudo fazer para, de aqui a uns tempos e com o correr das crónicas, nos conhecermos melhor.

Quando me propuseram este desafio logo me inundou o pensamento falar das mulheres do mar.

As mulheres, sempre presentes na vida dos homens do mar.Sem Título-22 cópia.jpg

Iremos falar deste tema, recuando no tempo e descrevendo aspetos históricos da vivência de então.

Também falaremos das questões da atualidade e modernidade que, por ironia do destino, nalguns aspetos, de modernidade não tem nada, antes se assemelhando ao cinzentismo de outros tempos.

O sal que me corre nas veias deu-me o mar quando nasci.

Esse mesmo mar que tem alimentado gerações e gerações de Covagalenses, ao longo dos tempos, no seu infindável labutar.

Aliás, é esse mar que nos dá identidade enquanto povo.

Por ele e através dele cruzámos oceanos, pescámos nos mares da Terra Nova, da Gronelândia, de África, das Américas e da Ásia.

O que seria, como seria a vida dos pescadores sem a presença, “omnipresença”, das suas mulheres?

É comummente aceite que a vida do mar é para homens. O mundo do mar sempre foi considerado social e profissionalmente como masculino, de homens e só para homens.

Mas, será que é assim?

Será que, se repararmos bem nos comportamentos das comunidades piscatórias, não iremos encontrar muitos exemplos em que essa verdade é, foi, colocada em causa?

Será que não assistiremos a trocas de papeis e de tarefas profissionais com a mulher a ocupar papel de relevo?

Sim! Iremos, claro que iremos!

E mais, as mulheres do mar, sempre tiveram a cargo, sempre a seu cargo, a casa, a educação dos filhos, o amanhar da terras nos quintais, a gestão dos dinheiros, da míngua como se dizia então …

Enquanto os homens labutavam durante seis meses por ano, na pesca do bacalhau, nos mares do Atlântico norte, eram elas, as mulheres, que guardavam a retaguarda, sustinham o asseio, o sustento da casa e dos filhos.painel06

E ainda tinham tempo para carrear torrão nas marinhas de sal…

Trabalhar nas secas do bacalhau …

Descarregar e carregar barcos…

Puxar as redes das artes na praia …

Vender o pescado nas praias ...

Vender e apregoar o peixe pelas aldeias e cidades circundantes, calcorreando caminhos, cabeços e valados de canastra à cabeça …

Quase sempre sorrindo...

Sim, quase sempre sorrindo porque, apesar de tudo, ainda tinham tempo para folguear, cantar e bailar …

Por tudo isto me sinto tão menina mulher deste povo.

 

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publicado por João Pita às 13:47
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Terça-feira, 24 de Maio de 2016

Quem és tu?


Quem és tu
Que bates à porta de mansinho
Me falas com carinho
E mostras o caminho
Sinuoso da tentação?

 

Neste amor contido
Tua imagem é a visão
Que ultrapassa o sentido.
É o meu fado e a razão
Desta minha alucinação.

 

Por ti eu vou
Nesta viagem
Sem destino.
Sem partida
Nem chegada.

 

Neste percurso
Eu sou

 

Um sopro
Uma aragem
Uma miragem.

 

E tu, só.
Nessa margem.

 

Quase nada me apoia
A um grande nada me agarro.
É loucura, é sonho
É solidão.

 

Tua imagem me persegue
Me enche e me segue.
Será loucura
Será razão?

 

E esta imensidão de nada
Me inunda o coração.

 

João Pita

Algures em 1999

 

 

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publicado por João Pita às 00:26
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Sábado, 30 de Abril de 2016

República

Republica01WEB.jpg

 

 A República, jovem e bela com asas erguidas ao Mundo, propondo-se voar no progresso e desenvolvimento.

Esta, a terceira, tinha então dez anos de idade.

 Caminhava com os pés assentes na terra e amparada na jovem democracia, acabadinha de emergir da terra fértil da revolução dos cravos e predisposta a alimentar todos por igual, à direita e à esquerda.

 Seguia, formosa e segura, devidamente acompanhada pela eloquência dos tribunos, pela vigilância da constituição e pelo fervor e trabalho do povo.

O Homem se propôe servir ao abrigo e exemplo da história da Humanidade desde a antiguidade.

Desenho a carvão em 25 de Abril de 1984.

publicado por João Pita às 20:20
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Quinta-feira, 28 de Abril de 2016

Dia mundial do sorriso

 Dia mundial do sorriso

 

Ao contemplares a natureza, agradecido,
sorri.o-sorriso-enriquece-os-recebedores-sem-empobrecer-
Quando sentires fixo em ti o olhar de uma criança,
sorri.
Se reparares no cansaço de um velho, ajuda-o e
sorri.
Na presença da dor do outro, como bálsamo,
sorri.
Com os lábios, com os olhos e com a alma
Sorri
Sorri, sempre!

O teu sorriso não é teu, é do outro
Se o tiveres de volta,
Sorrindo
Pensa,
Continua a não ser teu
Foi-te dado.

Sorri.

 

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publicado por João Pita às 15:39
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Quinta-feira, 21 de Abril de 2016

População em sobressalto

A população de S. Pedro, Cova-Gala em sobressalto.

A extinção da sua extensão de saúde.

Sou filho, neto, bisneto e, até onde a memória alcança, descendente dos antigos pescadores de Ílhavo que, um dia procuraram abrigo nestas dunas, neste mar, que os sustentou, lhes deu vida e perspetivas de futuro.

E sempre deram de si o que lhes era humanamente possível dar.

Em nome da honra, da seriedade e do trabalho e, em não poucos casos, do sacrifício e da dor se entregaram ao mar e à sua terra.

A Figueira da Foz.

Ajudaram a dar-lhe forma, conteúdo e, principalmente, identidade.

De acordo com as nossas origens, somos gente do mar.

Por isso, talvez premiando a qualidade do seu labor, o Estado Novo, em 1959, entendeu dotar este povo com uma Casa dos Pescadores.

Sita na Rua Remigio Falcão Barreto, em lugar de destaque.

Nela e ao longo dos tempos este povo Covagalense teve sempre um apoio para a saúde e para a doença.

Foi sempre o seu Posto médico.

Ajudou, sempre ajudou, a consolar a míngua.

E é para estes, essencialmente para estes, que ele existe. Não é para quem pode ter seguro de saúde ou transporte para se deslocar para aqui e para ali. Para esses este não é um problema. Têm alternativa.

Mas os outros não!

E é em nome destes, dos que não têm alternativa, que têm reformas sociais e mínimas que devemos todos dizer; Não!

Não!

Não nos podem tirar o nosso posto médico.

E muito menos desta forma, ignóbil, através de um papel afixado na parede com indicações perentórias e definitivas.

Sem uma consulta, sem uma palavra, sem uma reunião.

Mas, há um ano, de forma menos correta, subrepticia e jogando com as palavras afirmaram que se não ia acabar com nenhum Centro de Saúde. Esquecendo deliberadamente (há quem pense que com má fé) as Extensões de Saúde, os Postos Médicos.

A simplicidade é fácil de ser enganada.

 

Sabem, senhores responsáveis regionais da saúde.

Nós vivemos, escolhemos construir e viver numa sociedade Democrática e Contributiva.

E ela é contributiva porque nós decidimos contribuir com uma percentagem do nosso trabalho, da nossa atividade para a manutenção da Dignidade Humana. E esta pressupõe que os mais desfavorecidos não fiquem entregues à sua sorte.

Nós tratamos deles.

Do mesmo modo que é fácil enganar a simplicidade não se admirem com a força do seu caráter e da sua indignação.

Tudo isto foi um erro, uma enorme prepotência.

Mas nunca é tarde para se emendar o erro.

Também aí, na emenda do erro se veem os grandes homens.

Deixem lá estar, sossegadinho, o Posto Médico da Cova-Gala.

 

João Pita,

cidadão da Freguesia de S. Pedro, Cova-Gala.

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publicado por João Pita às 17:55
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Segunda-feira, 4 de Abril de 2016

Panama Papers

 

Logo no aflorar das primeiras noticias me pareceu monstruoso.

Um esquema de usura e ganância dantesco.

Mas, mesmo não perecendo à partida possivel, esse mesmo monstro cresce e cresce à medida que as noticias são desenvolvidas e vão aparecendo.

Pre-configura-se mais dantesco que o próprio inferno.
O de Dante era mitológico e confinado a um espaço, a um tempo.

Este não!!

Este é verdadeiramente universal e planetário.

Será que conseguiremos sequer imaginar o tamanho da delapidação dos diversos erários publicos ao longo de todo este tempo?
Será que seremos capazes de imaginar o bem que seria para as sociedades se toda a responsabilidade fiscal de todo este monstro estivesse no local certo?
Será que conseguiremos abranger o tamanho da culpa?
Será que chegámos a uma, "à", encruzilhada de onde só é possivel sair "fazendo-os descer ao fundo do inferno para que constatem o tamanho dos seus pecados"?

Haverá monte suficiente para o seu arrependimento?

Haverá pena para tamanha ... falta-me o termo.

Só me apetece praguejar!

 

publicado por João Pita às 20:56
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Terça-feira, 22 de Março de 2016

Mãe

 

De ti me cortaram o cordão
Umbilical à vida minha e tua.
Em ti vi, hoje, suspensa e frágil
Delicada linha, ténue e tão nua
De vida, tua e também minha.
Toquei-te, acariciei-te a fronte,
Afagando esse peito ofegante
Com bálsamo de esperança
Esperança...
 
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publicado por João Pita às 00:33
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Domingo, 13 de Março de 2016

O vento sopra do Sul

 

A ânsia de um bom regresso sentida pelas mulheres dos homens do mar.

Com a voz da Ana Margarida

 

 

O vento sopra do sul

 

O vento sopra do sul

A gaivota voa no ar

A nuvem carrega de negro

O vento sopra no mar

No mar, no mar, no mar …

 

 

O mar se eleva no horizonte

O mar se transforma em espuma

A espuma se eleva no ar

... e o meu amor no mar

No mar, no mar, no mar ...

 

Bate, bate coração

Bate, bate de ansiedade

Rodopiam astros e elementos

Em vórtices de tempestade

… e o meu amor no mar

No mar, no mar, no mar…

 

Peço a anjos e arcanjos

Rogo às ninfas e a Deus

Acalme o vento, espraie o mar

Acabem estes medos meus

Do mar, do mar, do mar…

 

Brilham por ti meus olhos

Lago de água, ávidos de ti,

De te receber, acolher e abraçar

De te ver chegar do mar

Do mar, do mar, do mar…

 

 

João Pita

 

 

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publicado por João Pita às 23:59
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Sábado, 12 de Março de 2016

Retimbrar Voa Pé (cá fora)

 

 

Faço do corpo volante
Senhor de si para qualquer feito
Se a cabeça não tem juízo,
o corpo é que paga.

Cheia de vida dentro
não deixo de estar vigilante
Marco o passo ao meu andar
sei do que me faço acompanhar

Vou beber de todas as fontes
dar de beber a quem puder
Conto enriquecer a viagem
das lições por aprender

Há esperança a querer falar
com arte, amor, com graça
Contra a contrariedade
ando p'ra me entender

Eu vou a pé
eu vou a pé

Saúdo, vinde companheiros
há lugar p'ra quem vier
Chega de Avé-Marias
mão na rédea do querer

Dito feito aqui vou eu
sorte a minha a de poder
oxalá venha a voltar
mais melhor que'ó que fui

Eu vou a pé
Eu vou a pé

Caminhando se faz caminho
Andando me entendo e te encontro


música - Sara Yasmine / António Serginho / Retimbrar
letra - Sara Yasmine

 

publicado por João Pita às 22:30
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Quarta-feira, 30 de Dezembro de 2015

Jealous whores

 

Eu, para aqui a ouvir esta maravilha e dá-me o pensamento para desalojar da memória a conversa com o velho Mauricio, conhecido por todos como "o mimo do sapato", engraxador dos Aliados.

- Ai, você, com que então, é figueirense. Conheço bem a Figueira. Fui lá muitas vezes em passeio, quando era mais novo, com a familia. Uma das vezes ficamos por lá quatro dias na pensão Demétrio. Acho que é assim que se chama, já não tenho a certeza.

- Olhe, sinceramente não faço a minima ideia - retorqui já meio interessado no desfiar da conversa.

- Naquele tempo tinha uma boa vida, um emprego efetivo nas caves e ainda morfava uns trocos aos turistas ali pela ribeira, ganhava bem. Depois, a partir dos cinquenta é que foram elas e bem duras. Estes pulmões deram cabo de mim e da minha vida. Deixei de poder trabalhar e o que me vale é esta ocupação de engraxador.

Senti-lhe o olhar perdido num qualquer horizonte e admirei-me ao reparar no maço de tabaco no bolso da camisa.

- Deve estar todo inchado com o prémio Leya deste ano atribuido a um escritor figueirense - atirou-me.

- É verdade amigo - disse eu intrigado com o virar repentino do tema da conversa e sentindo o peso do seu olhar interrogativo.

- Olhe que aqui o Mauricio é engraxador mas gosta de ler uns livritos e esse vosso António Tavares sabe o que faz. Já o li - o Coro dos Defuntos - e tocou-me fundo a forma como ele fala das nossas coisas com aqueles termos tão nossos do povo da provincia.

- Sim, é verdade também já o li e tive necessidade de recorrer ao dicionário para entender o significado de muitos desses termos. Vou dar-lhe uma novidade; tenho o privilégio de o conhecer pessoalmente.

- Ora ai está uma coisa que invejo. Poder conhece-lo para lhe pedir um autógrafo no livro.

Fiquei em silêncio observando o brilho em crescendo das botas e a agilidade do pano de lustro.

- Por falar em inveja ... - olho-o e ele continua.

- Já lho disse, conheci bem a Figueira e, se continua na mesma como era, ele que se ponha a pau com a inveja de ditos eruditos que por lá cigarreiam. No outro dia pedi ao meu neto mais velho que me ajudasse a pesquisar na internet sobre o autor e dei de caras com uns morcões de uns bloguistas, ou blogueiros, ou, sei lá como se chamam, a desancar no homem "concuminados" que até doia. Aquilo cheirava a invejice e a dor de corno que tresandava, carago!

Olha-me, sorrindo do meu espanto e diz-me:

- Prontos, já estão um mimo. Eu não lhe disse?

Paguei, desejando-lhe Boas Festas.

Baixo os olhos ao levantar-me e quase me sinto o reflexo nas botas. Saio dali a pensar:

Sábio, sábio é o povo, ó morcões!

 

publicado por João Pita às 00:17
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Sexta-feira, 4 de Setembro de 2015

Acorda, Humanidade!

Acorda, Humanidade!

Ergue-te!

Relembra os gases da primeira guerra mundial, o holocausto da segunda, os genocídios que ocorreram e ocorrem em África, na Ásia, na América do Sul e na Europa, sim na Europa.

Relembra Hiroxima e Nagasaki.

E vós, ó minorcas do diretório europeu, deixem-se de balelas, de conversa da treta e inócua.

Ajam!

Porra! É tempo de ação, de fazer, de agir.

Nós somos capazes de acolher, refugiar, de dar abrigo.

De ser simplesmente Humanos.

E também temos de ser capazes de erradicar, esmagar e pulverizar quem cria, fomenta e se aproveita desta desgraça humana. ...

 

"7,3 mil milhões de humanos vivem na Terra, mas a humanidade em si está morta" ...

Aylin01jpg.jpg

publicado por João Pita às 19:28
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corda01
Caravela Sagres St MManuela e Creoula

.João Pita

gazelap-01