.pesquisar

 

.Outubro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

.posts recentes

. Tens os Olhos de Deus

. Agora Nunca é Tarde

. Os dois pretitos da minha...

. Ultimatum

. A noite Alastra

. Naufrágio do navio-motor ...

. Terra, Vida, Saber, Ser.

. Negrume de fogo

. Aventais Bordados

. Mulheres do mar.

. Quem és tu?

. República

. Dia mundial do sorriso

. População em sobressalto

. Panama Papers

. Mãe

. O vento sopra do Sul

. Retimbrar Voa Pé (cá fora...

. Jealous whores

. Acorda, Humanidade!

. Crise, qual crise?

. Aluguei o sótão a um inqu...

. High Hopes

. Vermelho Erectus ...

. Jesus Christ Superstar - ...

. Sem à dita de Aquiles ter...

. Ser ou não ser

. Novo endereço

. Led Zeppelin

. Poesia de Eunice Pimentel

. E o jornalismo de investi...

. Mondego

. Homens à Beira-Mar

. Ser decente

. Balada astral

. Dez réis de esperança

. Morreu Nelson Mandela

. O Associativismo

. Walk on the Wild Side (in...

. AbraMia

. Sua solidão nos fosse can...

. Isto é sempre o mesmo ......

. O ser emocional ...

. Hilotas e periecos

. Criança balança na pança ...

. The Loner

. Fado Loucura

. A melodia dos Deuses

. Porque

. TOBIAS - photografer (02)

.arquivos


.Pescadores, Cédulas marítimas

.tags

. todas as tags

painel06
... algures na costa portuguesa mesmo a sul da foz do rio Mondego. Era, como se dizia então, um bom pesqueiro. Havia fartura de pescado e as artes, ainda novas e de não fácil manuseio, vinham carregadas até á vergueira de espécies saltitantes e ...
corda01
Domingo, 16 de Outubro de 2016

A noite Alastra

 

Voz de Ana Margarida 

 

Paulo Marçalo é um jovem desta cidade.

É filho de pescadores e marinheiros, de gente do mar.

Talvez por isso, ou também por isso, foi um adolescente problemático, desajustado a um tempo e ao seu próprio tempo. Caminhou por ínvios caminhos da adição, da sujeição, da destemperança e do descontrolo anímico e emocional.

As suas capacidades cognitivas, acima da média, foram causadoras de uma, ainda, maior dor e desassossego.

Sempre gostou de escrever e, ao fazê-lo, foi descrevendo a sua angústia e revolta. A um tempo identificando-a como só ele o sabia fazer e, a um outro, a incapacidade de lhe pôr termo.

Vou ler-vos um dos poemas do Paulo.

 
A noite alastra, as trevas me invadem

Num sono ébrio e horripilante

Sou o desconcerto e o pecado de mim mesmo.

Sou um desgraçado perdido,

Sem vontade, nem destino

Aprisionado ao terror, ao mal que abomino.

Ferido e ensanguentado no ódio

Aterrorizo meu lar e a minha alma sofre.

Em preces rogo tempo e mudança

Mas, sem vontade nem confiança

Acomodo-me no vício que me destrói.

- E destrói quem me ama!

Terríveis pensamentos manchados de maldade

Me percorrem as veias, qual anarcas

Desferem golpes baixos sobre os mais fracos,

Que fragilizados e cegos de amor

Me continuam amar, desesperados.

Pela desgraça e miséria a que me tenho votado.

São anjos negros, espíritos destruídos

Consumidos pelo ódio, em segredo guardado.

Tento soltá-lo na ébria e negra fúria

Do meu olhar vago, sem tempero nem temperança,

Deserdado de fé , apartado da esperança.

 

Paulo Marçalo

1999

 

tags:
publicado por João Pita às 02:24
link do post | comentar | favorito
Caravela Sagres St MManuela e Creoula

.João Pita

gazelap-01