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Segunda-feira, 11 de Agosto de 2014

Homens à Beira-Mar

 

 

"Em Busca de Mais Mar e Mais Vazio…"

 

 

HOMENS À BEIRA-MAR

 

 

Nada trazem consigo. As imagens

Que encontram, vão-se delas despedindo.

Nada trazem consigo, pois partiram

Sós e nus, desde sempre, e os seus caminhos

Levam só ao espaço como o vento.

 

Embalados no próprio movimento,

Como se andar calasse algum tormento,

O seu olhar fixou-se para sempre

na aparição sem fim dos horizontes.

 

Como o animal que sente ao longe as fontes,

Tudo neles se cala p'ra auscultar

O coração crescente da distância

E longínqua lhes é a própria ânsia.

 

É-lhes longínquo o sol quando os consome,

É-lhes longínqua a noite e a sua fome,

É-lhes longínquo o próprio corpo e o traço

Que deixam pela areia, passo a passo.

 

Porque o calor do sol não os consome

Porque o frio da noite não os gela,

E nem sequer lhes dói a própria fome,

E é-lhes estranho até o próprio rasto.

 

Nenhum jardim, nenhum olhar os prende.

Intactos nas paisagens onde chegam

Só encontram o longe que se afasta,

O apelo do silencio que os arrasta,

As aves estrangeiras que os trespassam,

E o seu corpo é só um nó de frio

Em busca de mais mar e mais vazio.

 

 

SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN

1944

 

 

publicado por João Pita às 22:54
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