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Terça-feira, 25 de Abril de 2017

Os dois pretitos da minha idade

 

Estamos em mais um novo dia, só que este é especial, é 25 de Abril, dia da Liberdade.

Dizer liberdade parece pouco, tantas e tantas vezes a pronunciamos e porque, felizmente, a vivemos em plenitude nem damos por ela. Tão adquirida está, quase parece não existir, ou, por outro lado, não poderá ser outra coisa a não ser o que é: Liberdade.

Nunca sentimos a necessidade de a regar, de a alimentar para que não seque, para que não morra …

Apetece-me contar-vos uma estória de um outro tempo, do tempo da minha infância … do 24 de Abril e do império que nunca mais terminava.

Vivíamos numa cidade colonial, moçambicana, num bairro airoso cheio de sol e da nossa alegria juvenil que aumentava e muito quando estávamos de férias escolares. Nessas alturas invariavelmente discutíamos renhidos campeonatos de futebol de rua que começava de manhã cedo, tinha intervalo à hora do almoço e terminava tarde caída.

Jogávamos descalços que as ruas eram de saibro, as balizas eram duas sapatilhas e não havia guarda redes. Equipa que ganhava ficava e continuava a jogar e a que perdia saía e dava lugar a outra. Alguns jogos eram tão renhidos que até a policia, cipaios vestidos de caqui e armados de cassetetes, paravam a ver-nos correr e gritar atrás da bola a marcar golos e golos.

Sorriam os policias cipaios e aplaudiam quando as jogadas pareciam dignas de Eusébios, Colunas …

Um dia, de manhã, apareceram dois pretitos da minha idade.

Juntaram-se a uma das equipas e jogavam futebol que era uma maravilha.

Riam alegres e ganhavam e ganhavam …

Todos nós os queríamos ter na nossa equipa.

A meio da tarde o jogo decorria alegre e a equipa onde jogavam os dois pretitos da minha idade continuava a jogar e a ganhar.

E apareceram os policias cipaios que gostavam de nos ver jogar. Mas, daquela vez, não pararam a sorrir e a aplaudir.

Carregaram o sobrolho, sacaram dos cassetetes, invadiram o jogo, foram ter com os dois pretitos da minha idade, encostaram os cassetetes às costas nuas dos dois pretitos da minha idade e expulsaram os pretitos da minha idade do nosso jogo, dizendo:

- Vai, vai, não pode estar aqui!

- O teu bairro não é aqui!

- Suca, suca, vai, vai!

O sorriso dos pretitos da minha idade desapareceu, no seu lugar apareceu um enorme, mas não espantado, olhar de medo e fugiram.

Corremos para os policias cipaios a ralhar e a barafustar que não podiam fazer aquilo. Eles meteram os cassetetes à cintura e viraram-nos as costas …

Dei comigo a lançar um olhar furioso aos policias cipaios num misto de raiva e confusão, muita confusão sem compreender o que se tinha passado.

Nunca mais gostei de policias cipaios e muito menos dos seus cassetetes.

Por ironia do destino, anos volvidos, em finais de 1973, senti nos costados o ferrete do sabor ardente e dorido daqueles cassetetes, mas isso é outra estória…

 

publicado por João Pita às 00:41
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.João Pita

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