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Cova d'oiro

... algures na costa portuguesa mesmo a sul da foz do rio Mondego. Era, como se dizia então, um bom pesqueiro. Havia fartura de pescado e as artes, ainda novas e de não fácil manuseio, vinham carregadas até á vergueira

Cova d'oiro

... algures na costa portuguesa mesmo a sul da foz do rio Mondego. Era, como se dizia então, um bom pesqueiro. Havia fartura de pescado e as artes, ainda novas e de não fácil manuseio, vinham carregadas até á vergueira

corda01

Disparar é facil, muito fácil...

 

A tarde decorria já alta.

Do sitiado quartel do Carmo continuava a emergir uma desesperante, silenciosa e passiva resistência.

O povo apinhava-se, exultante, em redor e no seio das tropas presentes.

O capitão Salgueiro Maia esgotara quase todas as manobras para a rendição de Marcelo Caetano.

Nestas condições, as pressões vindas de todos os lados no sentido de os carros de combate arrasarem o quartel e aniquilarem os sitiados eram muitas e em crescendo.

É, então, que a grandeza desse homem, verdadeiro capitão de Abril, sobressai enorme!

 

A uma última insistência para abrir fogo e acabar de vez com aquela resistência responde:Foto sacada da net -  forum-cidadania.blogspot.com

 

- Disparar?

- Disparar é fácil!

- Disparar é fácil, muito fácil!

- Isto, isto que está a acontecer não é uma guerra de canhões!

 

Depois, ... depois o general Spínola entendeu que este Homem não detinha competências militares para comandar tamanha força e ... retirou-lhe o Comando.

 

O general enganou-se!

 

Salgueiro Maia comandou de forma exemplar e com um sentido de pátria que só está ao alcance de alguns.

 

 

25 de Abril

 

Comemoram-se hoje os 35 anos de vida da democracia portuguesa.

 

Parida na madrugada de 25 de Abril de 1974, gerada na consciência, no sofrimento e luta de alguns e construída por quase todos (gosto de pensar que sim)  ao longo destes breves 35 anos.

 

Evoco, aqui, um dos portugueses que mais pugnou por tal desiderato.

 

Zeca Afonso.

 

Essa consciência viva da necessidade da mudança, esse poeta de sempre e essa voz universal. E, já agora que ninguem nos ouve, meu professor de ciências naturais nos longínquos anos do liceu Pero de Anaia.

 

Partilho uma música, TU GITANA, escrita por Zeca Afonso e interpretada pelo excelente grupo galego; Luar na Lubre.

 

Longa vida, 25 de Abril!

 

 

Tu gitana que adivinhas
Me lo digas, poes no lo sê
Se saldre dessa aventura
Ô si nela moriré
Ô si nela perco la vida
Ô si nela triumfare
Tu gitana que adivinhas
Me lo digas, poes no lo sê

 

Porque amanhã é 25 de Abril!

 

Amanhã é 25 de Abril e comemora-se o dia da Liberdade.

Porém, hoje, ainda é 24 de Abril. Véspera da esperança e da utopia.

E, enquanto ela - a liberdade - não chegava a juventude "daquele" Portugal vivia o quotidiano que, por vezes, passava por dar a vida ( para glória do Império) de forma cuel e desumanamente anónima num destino que não escolhia nem desejava.

 

Partilho convosco a desdita de um amigo de infância, o Chico.

Morreu em Setembro de 1973, de Portugal fardado, estilhaçado por uma mina, numa picada, algures em Moçambique.

Dali a escassos quatro meses era eu que me apresentava, como recruta, na Escola prática de infantaria de Boane.

Para lá, milicianamente obrigado, fui ... mas mais consciente e, porque não dizê-lo, com muito, mas muito mais medo!

 

 

O Alferes Chico
Filho de indiana e português
 
 
O Chico era filho de Indiana e Português.
O primeiro vagido, em Goa, o pai lhe ouviu.
De militar era varão e o mais velho de três.
Ainda menino da Índia Portuguesa fugiu
E à Beira quente de Sofala, um dia chegava.
 
Sua mãe, saudosa, a amada Goa não esquecia
E o Chico sabia, por isso, mais a amava.
Com seu largo coração, do tamanho do amor
A dor que a enviuvou, mais depressa fenecia,
Apesar de ele por seu pai sentir tamanha dor.
 
Os sapatos rotos, glória da militar pensão,
Palmilhavam dia a dia o caminho da escola.
Assim foi crescendo em tamanho e coração.
De Baden Powell, o exemplo cantou à viola
E a linda e loira Marília amou como Platão.
 
Quando, já homem, à guerra o obrigaram a ir
Com Marília, um dia jurou, por amor se ligar.
Louvando sonhos castos de carne por ferir,
Ali mesmo juraram, um dia, virgens se casar.
E, vos juro, Chico a Zona Verde nunca pisou.
 
A nós, amigos, ao deboche jovial sempre disse
Jura de amor por sua Marília ele nunca ousou
Um dia sequer pensar que não cumprisse.
Até‚ quando, no mato, com febres doente ficou
E a negra, bonita e meiga, seu corpo desejou.
 
Alferes amigo, de riso fácil e coração quente.
Seus homens, debaixo de tiro, sempre comandou.
Perguntou-se do porquê dessa guerra demente.
Seu sangue, misto de sangues, nunca aceitou
Que Portugal valoroso de cultura universal
Se perdesse na utópica posse da terra de outrem.
Derramasse sangue jovem do povo sem igual
Para ser dono de quem não quer ser de ninguém.
  
Certo dia à Beira foi ter com a virgem Marília.
Falar com o amigo e bom padre Fernando
Marcar o dia em que, com Marília, se casaria.
Sete dias pela Beira, à civil, esteve namorando.
Contou, no seu jeito de enleio, a guerra que fazia
Quando, com os amigos, um copo ia petiscando
E as lágrimas sofridas pelo camarada que morria.
 
Um dia o Chico, de alferes fardado, a estrada tomou
Com destino à Companhia, algures no mato a poente.
A coluna, pela picada de Tete, em Moatize, a tomou.
Alegre, o Zé viu e a seu lado no carro da frente
Se sentou, em cima do rebenta-minas Berliet.
Ria alegre com o Zé quando um estrondo insano,
Faz saltar a Berliet e com ela, o Chico e o Zé.
 
Oh, Chico um azar nunca vem só!
Quando caíste, acertaste noutra mina
E tu amigo, ali quase te tornaste pó
Tantas foram as partes em que te recolheram.
Regaste de vermelho vivo do teu sangue
As amadas terras de África, que te acolheram.
Delas te despediste, estilhaçado e exangue.
 
Um dia, lembro-me, uma coroa de flores
Abraçava a bandeira do teu caixão.
Pensei no vermelho, na bandeira, nas cores
As mesmas que simbolizam o sangue e a Nação.
Até o loiro dos cabelos da tua Marília chorou
Colorindo a bandeira que cobria o teu caixão.
Oh, Chico, Marília, virgem para sempre ficou.
 
João Pita
escrito entre 1974 e 1978.
 

 

Novo visual

 

 Foto de João Pita

Alterámos a imagem deste espaço.

Desfrutamos, agora, a luz do fim de dia colorindo o remancho do mar no lânguido afago da praia.

Repousadas, as gaivotas, testemunhas desse eterno namoro, miram-se no espelho da bonança.

Ganham forças para, enfrentando tempestades, poderem anunciar:

- A terra é já ali, gajeiro!

 

In the year 2525

 

 

 

 

Canção do duo norte americano Zager and Evans.

Produzida  em 1969

 

In the year 2525
If man is still alive
If woman can survive they may find
 

In the year 3535
Ain't gonna need to tell the truth, tell no lies
Everything you think, do and say
Is in the pill you took today

In the year 4545
Ain't gonna need your teeth, won't need your eyes
You won't find a thing to chew
Nobody's gonna look at you

In the year 5555
Your arms hanging limp at your sides
Your legs got nothing to do
Some machine's doing that for you

In the year 6565
Ain't gonna need no husband, won't need no wife
You'll pick your son, pick your daughter too
From the bottom of a long glass tube, whoa-oh

In the year 7510
If God's a-comin' He oughta make it by then
Maybe He'll look around Himself and say
Guess it's time for the judgment day

In the year 8510
God is gonna shake His mighty head
He'll either say I'm pleased where man has been
Or tear it down and start again, whoa-oh

In the year 9595
I'm kinda wonderin' if man is gonna be alive
He's taken everything this old Earth can give
And he ain't put back nothin', whoa-oh

Now it's been ten thousand years
Man has cried a billion tears
For what he never knew
Now man's reign is through

But through eternal night
The twinkling of starlight
So very far away
Maybe it's only yesterday

In the year 2525
If man is still alive
If woman can survive, they may find

 

 

You raise me up

 

 

 

When I am down and, oh my soul, so weary;
When troubles come and my heart burdened be;
Then, I am still and wait here in the silence,
Until you come and sit awhile with me.

 

You raise me up, so I can stand on mountains;
You raise me up, to walk on stormy seas;
I am strong, when I am on your shoulders;
You raise me up: To more than I can be.

 

You raise me up, so I can stand on mountains;
You raise me up, to walk on stormy seas;
I am strong, when I am on your shoulders;
You raise me up: To more than I can be.

 

There is no life - no life without its hunger;
Each restless heart beats so imperfectly;
But when you come and I am filled with wonder,
Sometimes, I think I glimpse eternity.

 

You raise me up, so I can stand on mountains;
You raise me up, to walk on stormy seas;
I am strong, when I am on your shoulders;
You raise me up: To more than I can be.

 

You raise me up, so I can stand on mountains;
You raise me up, to walk on stormy seas;
I am strong, when I am on your shoulders;
You raise me up: To more than I can be.

 

You raise me up: To more than I can be.
 

 

Seres decentes

 

 

Quando cumpria o seu segundo mandato, Ramalho Eanes viu ser-lhe apresentada pelo Governo uma lei especialmente congeminada contra si.

 

O texto impedia que o vencimento do Chefe do Estado fosse «acumulado com quaisquer pensões de reforma ou de sobrevivência» públicas que viesse a receber.


Sem hesitar, o visado promulgou-o, impedindo-se de auferir a aposentação de militar para a qual descontara durante toda a carreira.
O desconforto de tamanha injustiça levou-o, mais tarde, a entregar o caso aos tribunais que, há pouco, se pronunciaram a seu favor.
Como consequência, foram-lhe disponibilizadas as importâncias não pagas durante catorze anos, com retroactivos, num total de um milhão e trezentos mil euros.
Sem de novo hesitar, o beneficiado decidiu, porém, prescindir do benefício, que o não era pois tratava-se do cumprimento de direitos escamoteados - e não aceitou o dinheiro.


Num país dobrado à pedincha, ao suborno, à corrupção, ao embuste, à traficância, à ganância, Ramalho Eanes ergueu-se e, altivo, desferiu uma esplendorosa bofetada de luva branca no videirismo, no arranjismo que o imergem, nos imergem por todos os lados.
As pessoas de bem logo o olharam empolgadas: o seu gesto era-lhes uma luz de conforto, de ânimo em altura de extrema pungência cívica, de dolorosíssimo abandono social.

 

Antes dele só Natália Correia havia tido comportamento afim, quando se negou a subscrever um pedido de pensão por mérito intelectual que a secretaria da Cultura (sob a responsabilidade de Pedro Santana Lopes) acordara, ante a difícil situação económica da escritora, atribuir-lhe.

«Não, não peço. Se o Estado português entender que a mereço», justificar-se-ia, «agradeço-a e aceito-a.

Mas pedi-la, não. Nunca!»


O silêncio caído sobre o gesto de Eanes (deveria, pelo seu simbolismo, ter aberto telejornais e primeiras páginas de periódicos) explica-se pela nossa recalcada má consciência que não suporta, de tão hipócrita, o espelho de semelhantes comportamentos.
“A política tem de ser feita respeitando uma moral, a moral da responsabilidade e, se possível, a moral da convicção”, dirá. Torna-se indispensável “preservar alguns dos valores de outrora, das utopias de outrora”.
Quem o conhece não se surpreende com a sua decisão, pois as questões da honra, da integridade, foram-lhe sempre inamovíveis. Por elas, solitário e inteiro, se empenha, se joga, se acrescenta - acrescentando os outros.
“Senti a marginalização e tentei viver”, confidenciará, “fora dela. Reagi como tímido, liderando”.


O acto do antigo Presidente («cujo carácter e probidade sobrelevam a calamidade moral que por aí se tornou comum», como escreveu numa das suas notáveis crónicas Baptista-Bastos) ganha repercussões salvíficas da nossa corrompida, pervertida ética.


Com a sua atitude, Eanes (que recusara já o bastão de Marechal) preservou um nível de di - gnidade decisivo para continuarmos a respeitar-nos, a acreditar-nos - condição imprescindível ao futuro dos que persistem em ser decentes.
 

 

enviada por um amigo... dos antigos. Partilho-a convosco.

Crónica de
Fernando Dacosta

 

 

 

O atelier ...

 

 

 

E o artesão ...

 

 ... espaço onde convivem o artesanato miniatural e a arte e o engenho de lhe dar vida, genéticamente herdada do saudoso mestre de construção naval, Alfredo Afonso.

Assim se vai ajudando a dar visibilidade à historia deste povo que do mar viu emergir as suas raízes e nele foi amassando a sua memória colectiva.

 

Legenda:

 - José Alberto - Lugre-motor de quatro mastros aqui equipado para a pesca do bacalhau à linha e, ainda, de negro pintado. Passaria depois a branco integrando a legendária "Portuguese white fleet" dos mares da Terra Nova e orgulho do Estado Novo.

 - Manuel Afonso, o criador desta maravilha miniatural.

 

 

Mulher Portuguesa

 

Poema de Maria João Brito e Sousa

in

poetaporkedeusker.blogs.sapo.pt/ 

 

 

Se eu for ao mar chorar por ti,

Se eu for ao mar de manto negro,

Talvez o mar perceba o que senti,

Talvez o mar entenda o meu segredo…

 

Se nesse mar eu me perder um dia,

Se mergulhar nesse seu sal sem fim,

Talvez possa encontrar o que queria,

Talvez descubra o mar dentro de mim…

 

E nesta condição de ser, no cais,

Mulher e mãe e filha e companheira,

Talvez o próprio mar me queira mais…

 

Se um dia for ao mar contar quem sou,

Talvez o mar, em mágoa verdadeira,

Chore comigo e abrace a minha dor…

 

 

Magnifico soneto de Maria João Brito e Sousa

in

poetaporkedeusker.blogs.sapo.pt/

 

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