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Cova d'oiro

... algures na costa portuguesa mesmo a sul da foz do rio Mondego. Era, como se dizia então, um bom pesqueiro. Havia fartura de pescado e as artes, ainda novas e de não fácil manuseio, vinham carregadas até á vergueira

Cova d'oiro

... algures na costa portuguesa mesmo a sul da foz do rio Mondego. Era, como se dizia então, um bom pesqueiro. Havia fartura de pescado e as artes, ainda novas e de não fácil manuseio, vinham carregadas até á vergueira

corda01

Os símbolos e a nossa gente ...

  

foto de João Pita

 

 

 

 

 

O dia cai.

É domingo, sete e meia da tarde.

O sol, cansado, se esvai no horizonte, sobre as águas do Atlântico, na praia da Cova.

O ti Zé Alberto  olha de fronte o sol e o mar.

Esse mesmo mar que o embalou e, às vezes, algumas vezes, o atormentou em boa parte da sua vida já longa e cansada.

Cioso de seus costumes e obrigações cumpre agora a nova missão.

Arrear, ao poente, os nossos simbolos.

Os mesmos que arvorou ao rair do sol.

O mesmo sol que agora se reflecte, agradecido, em seus olhos a poente.

  

 

Um Homem, seu mundo e sua obra.

 

Hoje vai ser, justamente, lembrado o saudoso Domingos Laureano.

Um emérito covagalense.

Primeiro presidente da Freguesia de S. Pedro.

Guardião da identidade dos covagalenses.

Profissional dedicado ao Hospital Distrital da Figueira da Foz.

Aposto que gostaria de ter visto a nova e moderna cara do seu hospital.

 

Hoje, 07 de Agosto de 2010, vai ser um Bom Dia!

 

Foto João Pita

Cova-Gala, um povoado e um só povo... uma vila! (cont. 01)

Ia fresca aquela manhã de sábado, três de Setembro de 1791.
Na marinha de sal, o Manuel, marnoto, lavoeiro de nascimento, ao passar as costas da mão pela testa limpa o suor e levanta os olhos para aquele grupo, caminhando apressado por cima da mota que ladeia o braço sul do rio mondego e o separa das terras de cultivo e sementeira a poente. Ainda mais a poente, vislumbram-se os enormes medões de areia que ameaçam invadir os campos e as marinhas.
Retirando a boina ergue o dorso, com as costas da mão esquerda insiste em limpar o suor que perla na sua fronte e, apoiado na grade, questiona-se da razão daquela caminhada matinal e nada habitual por aquelas bandas.

Quem será aquela gente?

Pareciam-lhe, pelo aspecto diferente dos trajes e pelo cantar estranho do seu falar, serem pescadores que viviam mais a norte e junto ao mar.
Dizia-se que tinham vindo de Ílhavo e formado uma pequena aldeia, nas dunas, perto da foz do rio.
Eram gente estranha, muito fechada, viviam isolados e não procuravam grandes contactos com as gentes vizinhas.
Mas, onde iriam? E levam uma criança de colo bem pequena!
- Nada que me interesse! O melhor é continuar a gradar esta marinha, pois daqui a pouco é hora de comer.
O Manuel, marnoto, não sabia, nem podia saber.
Pudera, era a primeira vez que Inácio Francisco Ruivinho e a sua mulher Maria Rosária percorriam, primeiro, as dunas  que separavam o mar da Cova d'Oiro das terras junto ao rio e, depois, aquelas motas que o ladeavam.
Iam a caminho da Igreja da nossa Senhora da Conceição de Lavos e o baptismo de seu filho José, nascido havia quatro dias, era o seu desejo e o motivo daquela caminhada.
Uma hora depois, já na Igreja da nossa Senhora da Conceição de Lavos, o Padre Cura, José Jorge Carro, baptizou o menino. Ao fazer o assento do baptismo no livro de registo, perguntou:

- Onde nasceu o menino?

- Na Cova, senhor prior, disse a Maria Rosária.

- Como, na Cova?

- Na Cova, senhor prior, tornou a Maria Rosária.

- Na Cova? - Não conheço, essa terra não existe!

-  Mas então vocês não são todos de Ilhavo?

- Somos sim, senhor prior, disse o Inácio Ruivinho, já algo embaraçado.

- Então está bem, disse o padre cura José Jorge Carro e, pegando na caneta molhou o aparo no tinteiro, escreveu:

Lugar de nascimento do neófito: Ilhavo!

Este foi o primeiro registo escrito que evidencia a vontade expressa pelos pescadores oriundos de Ilhavo de anunciar a existência do seu povoado -  Cova.

Anos mais tarde, a 15 de Julho de 1793, o padre cura, Pedro Tomé da Costa regista o baptismo de Luís, filho de Manuel Pereira e Maria dos Santos como nascido na Cova e, assim, oficializa a existência do povoado.

Cova

...(extraido e adaptado de "Terras do Mar Sagado" do Capitão João Mano)

Pescadores de bacalhau da Cova-Gala (01).

 

Aproxima-se o dia em que a merecida homenagem ao homem do mar da Cova-Gala, personificado na figura do pescador de bacalhau à linha, vai ter lugar.
Será, decerto, um Bom Dia.
Apesar de o motivo e o modelo escolhido, que não a idéia, ser fruto de névoas e brumas escusas de pelágicas desconfianças, ao invés da clara participação na escolha, aberta e universal onde todos os covagalenses interessados pudessem ter tido legítimo lugar ... vai ser um Bom Dia!
Mesmo que a estética do elemento escultórico escolhido seja, mais assim, ou mais assado, será SEMPRE um bom dia.
Mesmo que os eleitos, eventualmente, não consigam libertar-se das grilhetas da presunção e dos pressupostos politicos, será sempre um BOM DIA!
E, aqui, na COVA-GALA,
- povoado que proclama bem alto a sua identidade assente em raízes da Cova, da Gala, do mar que nos banha e de todo esse, outro mar, onde os seus homens consolidaram uma história de trabalho e de grandeza -
esta homenagem ganha uma legitimidade ímpar.
A cidadania e a sintonia com estes valores faz-nos querer participar, tentando ajudar a entender as "grilhetas da presunção e dos pressupostos politicos", quando a mesma é rasteira, conforme assistimos há um mês, em Lavos, e, a um outro tempo, enaltecer a legitima e verdadeira homenagem a ter lugar na Cova-Gala.
Com a preciosa ajuda do Museu Marítimo de Ilhavo é possivel provar que a grande, a esmagadora maioria dos pescadores de bacalhau nascidos em Lavos, são oriundos e naturais da Cova e da Gala.

Começamos, hoje, a publicar as cédulas maritimas dos nossos antepassados.
Por razões de "peso digital" somos obrigados a dividi-las em várias apresentações.
Hoje, a primeira, por ordem alfabética.

 

 

Cova d'oiro é um conceito, uma realidade ou um sonho?

 

 

Tanto quanto nos é dado conhecer através da leitura dos livros do comandante João Mano, da consulta de diversa bibliografia e dos arquivos do Museu Marítimo de Ílhavo, é correcto afirmar que a Cova d’oiro foi, em primeira instância e no espaço temporal do terceiro quartel do século XVIII, um sonho vivido por quem, mercê de contingências várias e agrestes do destino, almejou fugir a uma vida de infortúnio, de doença, fome e morte.
  
Uma série de nefastas coincidências de factores ambientais e geo-climáticos, que foram alterando irreversivelmente, no decorrer dos séculos XVII e XVIII, a linha da costa na região de Aveiro e Ílhavo, afectaram negativamente as povoações piscatórias que viviam da ria, atingindo a sua plenitude da desgraça e calamidade entre os anos 1730 e 1757.
 
A decisão de fugir, de perseguir o sonho de atingir o local situado          …”algures na costa portuguesa mesmo a sul da foz do rio Mondego. Era como se dizia então um bom pesqueiro. Havia fartura de pescado e as artes, ainda novas e de não fácil manuseio, vinham carregadas até à vergueira de espécies saltitantes e …” variadas que, vendidas na jovem vila da Figueira da Foz, proporcionava o merecido pecúlio para o esforço do trabalho que dá o “amanhar do mar”, transformou-o em realidade quando um punhado de pescadores de Ílhavo, nossos antepassados e fundadores da nossa terra, se abrigaram na cava de uma duna, mesmo ali com a Cova d’oiro a seus pés.
 
Por fim, mercê de uma vida digna de trabalho no amanho do mar, quer neste que nos banha, quer noutros por esse mundo fora, esse legado identitário deve ser um conceito norteador das nossas acções enquanto povo. É neste conceito que assenta a identidade sócio-cultural da Cova e da Gala, hoje Cova-Gala e muito bem, fruto do desfiar inexorável dos tempos, que uniu os povoados.
 
Por outro lado, São Pedro é e sempre foi um abrigo de fé, que deu forças e vontade de alcançar o sonho, que protegeu e animou nos momentos mais difíceis. Mas, já o era nos idos tempos de Ílhavo e assim continuou a ser na Cova d’oiro, na Cova e na Gala e de muitas outras comunidades de pescadores espalhadas de norte a sul, por este Portugal. É, como se sabe, o Orago assumido pela quase totalidade das comunidades piscatórias não podendo ser, por isso mesmo, elemento identificador de nenhuma em particular.
 
Cova d’oiro, como conceito fundador e respeitado como legado sócio-cultural, deve ser entendido como, atrevia-me a dizer, o único farol norteador da acção de todos os que se preocupam com a identidade, principalmente a dos, por nós, eleitos e dele fiéis depositários na sua acção administrativa em ambiente democrático que é, ou devia ser, aliás, o único prevalecente.
 
Este espaço que tem, não por acaso, a denominação de Cova d’oiro, vamos preenchê-lo, prometemos, com esta temática. Visamos, como único objectivo, pugnar pelo engrandecimento da memória. Que ela possa, de alguma forma que não a saudosista, fortalecer, principalmente nos mais jovens, a identidade. Vamos fazê-lo, a um tempo tentando lembrar, a outro recomendar para os malefícios do esquecimento e ainda noutro tentando que os jovens, a seu tempo, nos possam representar nos mais variados espaços, entre os quais, a Assembleia de freguesia. Não como meras figuras decorativas e bajuladoras, mas antes como Cova-Galenses que, ao invés de se atirarem a um poço à espera que alguém lhes dê a mão, prefiram, olhos nos olhos, enfrentar as vagas do destino de peito aberto e fazer-se a qualquer tipo de mar com um objectivo definido, com um destino no horizonte, usufruindo entretanto as belezas e as contingências da viagem.
 
Tudo isto com uma velocidade própria de quem, não querendo ser a quinta da calma, não tenha, por outro lado, a ansiedade do imediato nem a pressa dos aflitos. Antes, a consciência que os tempos levam tempo a mudar.
 
Até já.
 
João Pita
 
 
 
 
 
Caravela Sagres St MManuela e Creoula

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