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Cova d'oiro

... algures na costa portuguesa mesmo a sul da foz do rio Mondego. Era, como se dizia então, um bom pesqueiro. Havia fartura de pescado e as artes, ainda novas e de não fácil manuseio, vinham carregadas até á vergueira

Cova d'oiro

... algures na costa portuguesa mesmo a sul da foz do rio Mondego. Era, como se dizia então, um bom pesqueiro. Havia fartura de pescado e as artes, ainda novas e de não fácil manuseio, vinham carregadas até á vergueira

corda01

Esperança

Se quiseres partir amanhã
eu páro o mundo
com facilidade, assim
com esta mão
e então descobriremos
o mais profundo fundo que há no mundo
que é no irmos fundo às coisas
que há razão.
de verdades consumadas me consomem
de falácias bem montadas me alimentam
mas meu filho, mora o reino do futuro
que é mais duro
e não vai ser com palavras
que o contentam.


Se a morte lenta te rebenta sob a pele
a cada dia e se no teu braço apenas sentes a força
de um cansaço organizado
mas manténs na tua fronte a dúvida
e o gosto pelo longe e a maresia
e se sentes no teu peito de criança
a alma de um sonho amordaçado


se quiseres partir amanhã
eu páro o mundo
com facilidade assim
com esta mão
e então descobriremos o mais profundo
fundo que há no mundo
que é no irmos fundo às coisas que há razão

Iste mundus furibundus falsa prestat gaudia,
quia fluunt et decurrunt ceu campi lilia.
Laus mundana, vita vana vera tollit premia,
nam impellit et submergit animas in tartara.

(in "Carmina Burana", c.1230)
Tradução do latim:

Este mundo furibundo nos dá falsas alegrias,
que fluem e se dissipam como pelos campos os lírios.
Louvores mundanos, vida vã afastam-nos dos veros prémios,
para impelir e submergir nossas almas no tártaro.

 

 

Letra e música: Pedro Barroso
Intérprete: Pedro Barroso (in "Roupas de Pátria, Roupas de Mulher", 1986)

Cathy

 

 

«I’d like to lodge a complaint… with a relevant authority

With each other’s where we ought to be, Cathy

I’m gonna right to the Times, sign it desperate at “Dolphin’s Barn”

Shouldn’t we be in each other’s arms, Cathy?

Cathy, it’s at times like these I wish I wrote like you,

You seem to bend your words to suit your needs,

You melt my heart with your imagery, but I don’t know

How to say it better, than darling since I met you

I haven’t been the same

And I don’t know, all the whys and wherefores

But you’re the one I care for and that will never change Cathy

Oh to be with you tonight, smoke a jay and drink a g and t,

Do whatever’s coming naturally, Cathy

Turn the sheets into sails

Turn the bed into a golden ship

Floating slowly down the Mississippi, Cathy.. Cathy

Cathy can you help me please, you put these things more poetically than me

I’ve sang of how love feels but it’s much harder when it’s all real

And I don’t know

How to make it clearer, than honey when I’m near you

It’s like I’m in a dream, and I don’t know…..in stormy weather

Just to be together is good enough for me.. Cathy… Cathy.. Cathy»

 

 

The Man Cames Around - Johnny Cash

 

 

Ouvi como um som de trovão

Uma das quatro bestas dizer:

"Vem e Vê"

E eu vi, contemplei, um cavalo branco.
Ronda um homem por aí anotando nomes

É ele que decide quem é livre e quem é culpado

Não serão todos tratados do mesmo jeito

Haverá uma escada dourada do céu ao chão

Quando chegar o Homem.
Com os pêlos dos teus braços arrepiando

Com terror, a cada gole e cada mordida

Compartilharás daquele último copo oferecido?

Ou desaparecerás na terra do ceramista

Quando chegar o Homem?
Ouve as trombetas, ouve as flautas.

Cem milhões de anjos cantando

Multitudões marchando para o grande  timbale*

Vozes chamando, vozes chorando

Alguns nascendo, outros  morrendo

É o reino do Alpha e Omega chegando.
E a ventania  soprando na árvore de espinhos

As virgens arrumando seus pavios

E a ventania soprando na árvore de espinhos
Até o armageddon, nenhum shalam,  nenhum shalom

Então, o pai chamará suas crias a casa

O homem sábio, curvar-se-á diante da coroa

E a Seus pés jogarão coroas douradas

Quando chegar o Homem
Quem for injusto, deixe-o ser injusto

Quem for correto, deixe-o ser correto

Quem for imundo, deixe-o ser imundo.

Escuta as  palavras escritas há muito tempo

Quando chegar o Homem
E ouvi uma voz  no meio das quatro bestas

Olhei e vi um cavalo empaledecido

O nome  escrito nele era "morte"

E o inferno veio com ele.

 

Ride

 

 

Lana Del Rey

 

Born To Die - The Paradise Edition

 

Ride

 

 ... Eu estive no inverno da minha vida e o homem que conheci ao longo dessa estrada foi o meu único e autentico verão.

À noite eu dormia com visões de mim mesma, dançando, rindo e chorando com eles.

Três anos sem rumo, um tour mundial sem fim e as memórias eram as únicas coisas que me sustentavam e os meus únicos momentos de felicidade real.

Eu fui cantora, não muito popular, que sonhava em um dia ser uma linda poetisa mas que, diante de uma série de infortuneos, viu todos os seus sonhos estilhaçados em milhões de estrelas no céu da noite reluzente e repartido, mas que almejava de novo, uma e outra vez.

Mas eu não me preocupava porque sabia que isso me daria tudo o que sempre quis e, depois perderia tudo de novo, para saber o que é a verdadeira liberdade.

Quando as pessoas, que  conhecia, descobriram o que estava fazendo, como estava vivendo, perguntaram porquê.

Mas não é facil falar com pessoas que têm um lar, elas não tem ideia de como é, como é a procura de segurança noutras pessoas, a procura do aconchego de um ombro amigo onde deitar a cabeça.

Eu sempre fui uma garota incomum. Minha mãe me disse que eu tinha uma alma de camaleão, sem uma bússola moral que apontasse para o norte, sem personalidade fixa. Apenas uma indecisão interior e esvoaçava livre, aberta e ondulava como o oceano.

E se eu disesse que não planeei pra ficar desse jeito, estaria mentindo, porque eu nasci para ser outra mulher.

Eu não pertencia a ninguém e pertencia a todos, que não tinha nada, que queria tudo  e com um fogo em cada experiência e uma obsessão por liberdade que me aterrorizava.

E só o falar sobre isso me empurrava para um ponto nômada de loucura, que me deslumbrava e me deixava tonta.

...

I’ve been out on that open road

You can be my full time, daddy

White and gold

Singing blues has been getting old

You can be my full time, baby

Hot or cold

Don’t break me down

I’ve been travelin’ too long

I’ve been trying too hard

With one pretty song

I hear the birds on the summer breeze, I drive fast

I am alone in the night

Been trying hard not to get into trouble, but I

I’ve got a war in my mind

 

So, I just ride

 

Dying young and I’m playing hard

That’s the way my father made his life an art

Drink all day and we talk ‘til dark

That’s the way the Road Dogs do it, ride ‘til dark

Don’t leave me now

Don’t say goodbye

Don’t turn around

Leave me high and dry

I hear the birds on the summer breeze, I drive fast

I am alone in the night

Been trying hard not to get in trouble, but I

I’ve got a war in my mind

 

I just ride

 

I’m tired of feeling like I’m fucking crazy

I’m tired of driving ‘till I see stars in my eyes

I look up to hear myself saying

“Baby, too much I strive, I just ride”

I hear the birds on the summer breeze, I drive fast

I am alone in the night

Been trying hard not to get in trouble, but I

I’ve got a war in my mind

 

I just ride

O Cinismo casou com dona Hipocrisia ...

 

O Cinismo casou com Dona Hipocrisia ...
Teve uma grande festança no apartamento da Demagogia
 
Lá na cozinha estava o Cinismo comendo escondido
Foram perguntar pra ele:
"Cadê o salgadinho?" que tinha sumido.
Ele disse: "Não lembro, não sei, não conheço, não vi nada não".
E foi todo sorridente dançar com Madame de Simulação
 
O Cinismo casou com Dona Hipocrisia ...
Teve uma grande festança no apartamento da Demagogia
 
A Hipocrisia que sempre dizia que era uma santa
Tomou sete caipirinhas, caiu na cozinha e quase não levanta.
Foi embora mais cedo morrendo de medo da Reputação
E saiu de braços dados com a Incoerência e a Contradição
 
O Cinismo casou com Dona Hipocrisia ...
Teve uma grande festança no apartamento da Demagogia
 
A dona Inveja amiga da Raiva e mulher do Despeito
Ofendeu dona Elegância esposa pacata do nobre Respeito
Foi ai que a prudência chamou o casal com ciência e bom senso
Que saíram porta fora porque o ambiente já estava bem tenso
 
O Cinismo casou com Dona Hipocrisia ...
Teve uma grande festança no apartamento da Demagogia
 

)

Homem só, meu irmão.

 

 

Letra e música de Luiz Goes.

Do álbum "Canções do Mar e da Vida" (1969).

 

HOMEM SÓ, MEU IRMÃO


Tu, a quem a vida pouco deu,

que deste o nada que foi teu em gestos desmedidos...

Tu, a quem ninguém estendeu a mão

e mendigas o pão dos teus sentidos, homem só, meu irmão!


Tu, que andas em busca da verdade

e só encontras falsidade em cada sentimento,

inventa, inventa amigo uma canção

que dure para além deste momento, homem só, meu irmão!


Tu, que nesta vida te perdeste

e nunca a mitos te vendeste - dura solidão -

faz dessa solidão teu chão sagrado,

agarra bem teu leme ou teu arado, homem só, meu irmão!

 

Wand'ring Star"

 Lee Marvin

 "Wand'rin' Star" from the western musical Paint Your Wagon (1969).

 

 

I was born under a wanderin star

I was born under a wanderin star

Wheels are made for rollin
Mules are made to pack
I never seen a sight that didnt look better looking back.

I was born under a wanderin star

Mud can make you prisoner
And the plains can bake you dry
Snow can burn your eyes
But only people make you cry
Home is made for comin from
For dreams of goin to
Which with any luck will never come true

I was born under a wanderin star
I was born under a wanderin star

Do I know where hell is?
Hell is in Hello
Heaven is good-bye forever
Its time for me to go

I was born under a wanderin star
A wanderin wanderin star

Mud can make you prisoner
And the plains can bake you dry
Snow can burn your eyes
But only people make you cry
Home is made for comin from
For dreams of goin to
Which with any luck will never come true

I was born under a wanderin star
I was born under a wanderin star

When I get to heaven
Tie me to a tree
Or Ill begin to roam
And soon you know where I will be

I was born under a wanderin star
A wanderin wanderin star


 

Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

  

 

 A principio é simples, anda-se sozinho
 passa-se nas ruas bem devagarinho
 está-se bem no silêncio e no borborinho
 bebe-se as certezas num copo de vinho
 e vem-nos à memória uma frase batida
 hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
 
Pouco a pouco o passo faz-se vagabundo
 dá-se a volta ao medo, dá-se a volta ao mundo
 diz-se do passado, que está moribundo
 bebe-se o alento num copo sem fundo
 e vem-nos à memória uma frase batida
 hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
 
E é então que amigos nos oferecem leito
 entra-se cansado e sai-se refeito
 luta-se por tudo o que se leva a peito
 bebe-se, come-se e alguém nos diz: bom proveito
 e vem-nos à memória uma frase batida
 hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
 
Depois vêm cansaços e o corpo fraqueja
 olha-se para dentro e já pouco sobeja
 pede-se o descanso, por curto que seja
 apagam-se dúvidas num mar de cerveja
 e vem-nos à memória uma frase batida
 hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
 
Enfim duma escolha faz-se um desafio
 enfrenta-se a vida de fio a pavio
 navega-se sem mar, sem vela ou navio
 bebe-se a coragem até dum copo vazio
 e vem-nos à memória uma frase batida
 hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
 
E entretanto o tempo fez cinza da brasa
 e outra maré cheia virá da maré vaza
 nasce um novo dia e no braço outra asa
 brinda-se aos amores com o vinho da casa
 e vem-nos à memória uma frase batida
 hoje é o primeiro dia do resto da tua vida.

 

Sergio Godinho

 

 

Maria mal-amada.

 

Deu-me hoje o pensamento para me transportar a Novembro de ano de 1973.

Faltavam uns simples e rápidos dois mesitos e qualquer coisa para alinhar, miliciano e como carne para canhão, em defesa da pátria.

Digo-a em letra pequena porque, a de então, a entendia assim, pequena.

Naquele tempo a nossa jovialidade foi abalada pelo estrondo insano de uma mina, que ribombou em nossos peitos e nos derrotou.

Afinal não éramos imortais, morrera-nos um amigo.

Aquele, o mais jovial!

Esta melodia do Pedro Barroso levou-me àquele tempo e repôs a noção de que os muitos problemas do Portugal de hoje não são assim tão definitivos!

 

 

 

Água - Pedro Barroso

 

Pus-me à noite a ouvir o mar
sentado na pedra sentado na areia
e senti uma barcarola criar devagar
esta melodia
tinha a crista e vaga desta vaga história
d'arte marinheira
luzia na prata mais rica,
mais rica mais rica que havia
e aquele pensamento d'ir e voltar sempre
que há na maresia
fez subir da água, dessa água toda, cem mil caravelas
era mais que o mar mais que a vida toda
quem ali fervia
e foi muito mais que um homem com guitarra
quem soltou as velas
tive ali a consciência
tinha ali a história toda
tinha ali um povo antigo
a cantar comigo uma canção de roda

Mergulhei da praia nessa história grande
de alma derramada
falei com mareantes e conquistadores
gente aventureira
crepitei nas ondas marés de ida e volta
partida e chegada
cortei fundo a crista do gume das vagas
duma vida inteira
mas daquele mar fundo fundo mar que lá fica sempre
trago só lembranças e um saco de tempo
s'é que o tempo presta
quem disser que o viu que o compreendeu
ou se esquece ou mente
pois no fundo hoje a raiva que ficou
é tudo o que nos resta

Tive ali a consciência
tive ali a história toda
tive ali um povo antigo
a cantar comigo uma canção de roda

 

Pedro Barroso

 

 

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