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Cova d'oiro

... algures na costa portuguesa mesmo a sul da foz do rio Mondego. Era, como se dizia então, um bom pesqueiro. Havia fartura de pescado e as artes, ainda novas e de não fácil manuseio, vinham carregadas até á vergueira

Cova d'oiro

... algures na costa portuguesa mesmo a sul da foz do rio Mondego. Era, como se dizia então, um bom pesqueiro. Havia fartura de pescado e as artes, ainda novas e de não fácil manuseio, vinham carregadas até á vergueira

corda01

Esta Gente

 

Esta Gente

 

Esta gente cujo rosto

Às vezes luminoso

E outras vezes tosco

 

Ora me lembra escravos

Ora me lembra reis

 

Faz renascer meu gosto

De luta e de combate

Contra o abutre e a cobra

O porco e o milhafre

 

Pois a gente que tem

O rosto desenhado

Por paciência e fome

É a gente em quem

Um país ocupado

Escreve o seu nome

 

E em frente desta gente

Ignorada e pisada

Como a pedra do chão

E mais do que a pedra

Humilhada e calcada

 

Meu canto se renova

E recomeço a busca

De um país liberto

De uma vida limpa

E de um tempo justo

 

Sophia de Mello Breyner Andresen, in "Geografia"

Eu imbecil me confesso

 

Porque é Carnaval e as sociedades insistem em “aconchegarem-se” em castas, em classes e outras coisas afins.

 ...

 

Eu imbecil me confesso e pergunto ao idiota que vive em mim.

- O que fizeste idiota que me tornaste assim?

 

Neste que cala quando outros parlam

Parlam …

Neste que sorri com olhos tristes,

gémeos da real tristeza que refletem.

 

Neste que te questiona, idiota!

Porque não bajulas

E ao invés, sorrindo, te calas?

- Ganhavas um palmadão nos costados, pá!

Amigão!

Ah, grande amigão!

Assim, sim!

Tu és dos meus és dos bons!

Dos outros, Não!

 

Neste que te pergunta porque,

Contra a bajulice, insistes em os mandar

“Xapar” ao mar!

 

Eu imbecil me confesso e pergunto ao idiota que vive em mim.

Porque me fizeste assim?

Idiota!

 

Agora Nunca é Tarde

 

 Pedro Barroso

 

 

 

"Cada um de nós nasce com um artista cá dentro

Um poeta, um escultor, um aventureiro...

um cientista, um pintor, um arqueologo, um estilista, um astronauta, um cantor, um marinheiro".

...

"E se aquilo, aquilo que nos dão todos os dias não for coisa que se cheire ou nos deslumbre,
que pelo menos nunca abdiquemos de pensar com direito à  ironia, ao sonho, ao ser diferente.
E será talvez uma forma inteligente de, afinal, nunca... nunca, nunca ser tarde demais para viver,
nunca ser tarde demais para perceber,
nunca ser tarde demais para exigir,
nunca ser tarde demais para ACORDAR".

 

 

Ultimatum

 

Mandado de despejo aos mandarins da Europa!
Alvaro de Campos 1917.
Versão de Maria Bethânia

 

Fora tu, reles esnobe, plebeu, fora tu, imperialista das sucatas, charlatão da sinceridade, banalidade em caracteres gregos, sopa salgada fria, fora com tudo isso, fora! Que fazes tu na celebridade? Quem és tu? Tu, da juba socialista, e tu, qualquer outro, todos os outros, lixo, cisco, choldra provinciana, safardanagem intelectual, incompetentes, barris de lixo virados para baixo. Tirem isso tudo da minha frente, tudo daqui para fora. Ultimatum a todos eles e a todos os outros que sejam como eles. Todos!
Falência geral de tudo por causa de todos. Falência dos povos e dos destinos, desfile das nações para o meu desprezo. Passai gigantes de formigueiro. Passai mistos que só cantai a debilidade. Passai bolor do novo, passai à esquerda do meu desdém. Passai e não volteis, párias na ambição de parecer grande.
Passai finas sensibilidades, montes de tijolos com pretensões a casa. Inútil luxo, passai, vã grandeza ao alcance de todos, megalomania triunfante, voz que confundis o humano com o popular, que confundis tudo, chocalhos incompletos, maravalhas, passai! 
Passai tradicionalistas auto-convencidos, anarquistas deveras sinceros, socialistas a invocar a sua qualidade de trabalhadores para quererem deixar de trabalhar.
Vem tu finalmente ao meu asco, roça-te finalmente contra a sola do meu desdém. 'Grand finale' dos parvos, impotência a fazer barulho. Quem acredita neles?
Descasquetem o rebanho inteiro, mandem isso tudo para casa, descascar batatas simbólicas. O mundo tem sede de que se crie, tem fome de futuro.
Tu, Estados Unidos da América, síntese bastardia da Baixa Europa, alho da sorda transatlântica pronúncia nasal do modernismo inistético. E tu, Portugal, centavos, resto da monarquia a apodrecer república. E tu, Brasil, blague de Pedro Álvares Cabral, que nem te queria descobrir. Ponham-me um pano por cima de tudo isso, fechem-me isso a chave e deitem a chave fora.
A política é a degeneração gordurosa da organização da incompetência. Sufoco de ter só isso à minha volta. Deixem-me respirar! Abram todas as janelas, abram mais janelas do que todas as janelas que há no mundo. 
Nenhuma idéia grande, nenhuma corrente política que soe a uma idéia grão. Época vil dos secundários, dos aproximados, dos lacaios com aspirações a reis lacaios.
Sim, todos vós que representais o mundo, todos vós que sois políticos em evidência em todo o mundo, passai vozes ambiciosas do luxo cotidiano, aristocrata de tanga de ouro. Passai vós que sois autores de correntes sociais, de correntes literárias, de correntes artísticas, verso da medalha da impotência de criar. 
Passai, frouxos! Passai, radicais do pouco! O mundo quer grandes poetas, quer grandes estadistas, quer grandes generais. Quer o político que construa conscientemente os destinos inconscientes do seu povo. Quer o poeta que busque a imortalidade ardentemente e não se importe com a fama. Quer o general que combata pelo triunfo construtivo, não pela vitória que é apenas a derrota dos outros.
O mundo quer a inteligência nova, a sensibilidade nova. O que aí está a apodrecer a vida, quando muito, é estrume para o futuro. O que aí está não pode durar porque não é nada.
Eu, da raça dos navegadores, afirmo que não pode durar. Eu, da raça dos descobridores, desprezo o que seja menos que descobrir um mundo novo. Ergo-me ante o sol que desce e, à sombra do meu desprezo, anoitece em vós, e proclamo isso bem alto, braços erguidos, fitando o Atlântico e saudando abstratamente o infinito". 

 

A noite Alastra

 

Voz de Ana Margarida 

 

Paulo Marçalo é um jovem desta cidade.

É filho de pescadores e marinheiros, de gente do mar.

Talvez por isso, ou também por isso, foi um adolescente problemático, desajustado a um tempo e ao seu próprio tempo. Caminhou por ínvios caminhos da adição, da sujeição, da destemperança e do descontrolo anímico e emocional.

As suas capacidades cognitivas, acima da média, foram causadoras de uma, ainda, maior dor e desassossego.

Sempre gostou de escrever e, ao fazê-lo, foi descrevendo a sua angústia e revolta. A um tempo identificando-a como só ele o sabia fazer e, a um outro, a incapacidade de lhe pôr termo.

Vou ler-vos um dos poemas do Paulo.

 
A noite alastra, as trevas me invadem

Num sono ébrio e horripilante

Sou o desconcerto e o pecado de mim mesmo.

Sou um desgraçado perdido,

Sem vontade, nem destino

Aprisionado ao terror, ao mal que abomino.

Ferido e ensanguentado no ódio

Aterrorizo meu lar e a minha alma sofre.

Em preces rogo tempo e mudança

Mas, sem vontade nem confiança

Acomodo-me no vício que me destrói.

- E destrói quem me ama!

Terríveis pensamentos manchados de maldade

Me percorrem as veias, qual anarcas

Desferem golpes baixos sobre os mais fracos,

Que fragilizados e cegos de amor

Me continuam amar, desesperados.

Pela desgraça e miséria a que me tenho votado.

São anjos negros, espíritos destruídos

Consumidos pelo ódio, em segredo guardado.

Tento soltá-lo na ébria e negra fúria

Do meu olhar vago, sem tempero nem temperança,

Deserdado de fé , apartado da esperança.

 

Paulo Marçalo

1999

 

Quem és tu?


Quem és tu
Que bates à porta de mansinho
Me falas com carinho
E mostras o caminho
Sinuoso da tentação?

 

Neste amor contido
Tua imagem é a visão
Que ultrapassa o sentido.
É o meu fado e a razão
Desta minha alucinação.

 

Por ti eu vou
Nesta viagem
Sem destino.
Sem partida
Nem chegada.

 

Neste percurso
Eu sou

 

Um sopro
Uma aragem
Uma miragem.

 

E tu, só.
Nessa margem.

 

Quase nada me apoia
A um grande nada me agarro.
É loucura, é sonho
É solidão.

 

Tua imagem me persegue
Me enche e me segue.
Será loucura
Será razão?

 

E esta imensidão de nada
Me inunda o coração.

 

João Pita

Algures em 1999

 

 

Dia mundial do sorriso

 Dia mundial do sorriso

 

Ao contemplares a natureza, agradecido,
sorri.o-sorriso-enriquece-os-recebedores-sem-empobrecer-
Quando sentires fixo em ti o olhar de uma criança,
sorri.
Se reparares no cansaço de um velho, ajuda-o e
sorri.
Na presença da dor do outro, como bálsamo,
sorri.
Com os lábios, com os olhos e com a alma
Sorri
Sorri, sempre!

O teu sorriso não é teu, é do outro
Se o tiveres de volta,
Sorrindo
Pensa,
Continua a não ser teu
Foi-te dado.

Sorri.

 

João Pita
Abril de 2016

 

Mãe

 

De ti me cortaram o cordão
Umbilical à vida minha e tua.
Em ti vi, hoje, suspensa e frágil
Delicada linha, ténue e tão nua
De vida, tua e também minha.
Toquei-te, acariciei-te a fronte,
Afagando esse peito ofegante
Com bálsamo de esperança
Esperança...
 

O vento sopra do Sul

 

A ânsia de um bom regresso sentida pelas mulheres dos homens do mar.

Com a voz da Ana Margarida

 

 

O vento sopra do sul

 

O vento sopra do sul

A gaivota voa no ar

A nuvem carrega de negro

O vento sopra no mar

No mar, no mar, no mar …

 

 

O mar se eleva no horizonte

O mar se transforma em espuma

A espuma se eleva no ar

... e o meu amor no mar

No mar, no mar, no mar ...

 

Bate, bate coração

Bate, bate de ansiedade

Rodopiam astros e elementos

Em vórtices de tempestade

… e o meu amor no mar

No mar, no mar, no mar…

 

Peço a anjos e arcanjos

Rogo às ninfas e a Deus

Acalme o vento, espraie o mar

Acabem estes medos meus

Do mar, do mar, do mar…

 

Brilham por ti meus olhos

Lago de água, ávidos de ti,

De te receber, acolher e abraçar

De te ver chegar do mar

Do mar, do mar, do mar…

 

 

João Pita

 

 

Ser ou não ser

 

Nas límbicas brumas do pensamento

Algo brilhante, longínquo

Viaja na fronteira da Psique.

Ilumina fraca mas persistente

As memórias, o consciente e o ser

Em luta para esquecer...

AzulMar01WEB.jpg

Ser

O ser que é

Foi pugna ganha

Mas inglória.

 

Sim!

O que ganhou em ser

O ser que é

O atormenta.

 

Sopro fraco,

Sem força, sem valor.

Tenta caldear

A chama da emoção

E a gélida razão.

 

Vã luta, Homem!

 

 

A chama da emoção,

Onda de encontro ao rochedo,

Como ela, traz sempre o ser que é

Lutando para o não ser!

Obstinado,

Trava duelo com a voz do seu eu.

 

Teimosamente

Ignora

Que enquanto essa luta persistir

O ser

É sempre o ser que é

E nunca

O ser que quer ser!

 

 

 

Homens à Beira-Mar

 

 

"Em Busca de Mais Mar e Mais Vazio…"

 

 

HOMENS À BEIRA-MAR

 

 

Nada trazem consigo. As imagens

Que encontram, vão-se delas despedindo.

Nada trazem consigo, pois partiram

Sós e nus, desde sempre, e os seus caminhos

Levam só ao espaço como o vento.

 

Embalados no próprio movimento,

Como se andar calasse algum tormento,

O seu olhar fixou-se para sempre

na aparição sem fim dos horizontes.

 

Como o animal que sente ao longe as fontes,

Tudo neles se cala p'ra auscultar

O coração crescente da distância

E longínqua lhes é a própria ânsia.

 

É-lhes longínquo o sol quando os consome,

É-lhes longínqua a noite e a sua fome,

É-lhes longínquo o próprio corpo e o traço

Que deixam pela areia, passo a passo.

 

Porque o calor do sol não os consome

Porque o frio da noite não os gela,

E nem sequer lhes dói a própria fome,

E é-lhes estranho até o próprio rasto.

 

Nenhum jardim, nenhum olhar os prende.

Intactos nas paisagens onde chegam

Só encontram o longe que se afasta,

O apelo do silencio que os arrasta,

As aves estrangeiras que os trespassam,

E o seu corpo é só um nó de frio

Em busca de mais mar e mais vazio.

 

 

SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN

1944

 

 

AbraMia

 

A ser alguma coisa que seja homenagem...

 

Abramia

 

Um dia perguntei à chuva o tempo

Respondeu-me em gotas de pensamento

A mão, o luar e o coração.

Pediu-me que lhe trouxesse a nuvem

E a coragem de a abraçar.

Respondi-lhe que não podia

Gente não abrachuva

Nem abranuvem

E pouco pensa o tempo

Gente falama

Gente ama

Parou num silêncio de orvalho

E em choro de quem não podia

Não podia também…

Expliquei que sim, podia

Porque na terra amor tem.

 

por Eunice Pimentel

 

Criança balança na pança de um planeta

 

Criança balança na pança de um planeta,

treta,

cometa,

lambreta.

criança faz uma trança na voz que ri

lança,

lança, retalho de medo,

cedo,

colo em desassossego.

Retalho de cor, doce calor

amargo,

amor.

Retalho.

Criança balança na pança de um planeta.

Bola que roda azul e cerca a esperança,

o verde, a esperança.

Bola que roda e balança

A cor e a esperança de um planeta.

Voz seca amansa

a bola azul que balança

cometa

Planeta

fugaz

tenaz

capaz

 

 

BUMMMMM!

 

por Eunice Pimentel

A melodia dos Deuses

 

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A melodia dos Deuses

 

  

Deuses cantam em voz adormecida

Não julgo mais nada, não penso mais.

Somente adormeço minha própria vida

Embalo o pensamento e pergunto: Onde vais?

 

Vai longe, vai certo, vai perto.

Vai livre de sombras, de dor.

Vai para um infindo deserto

Onde encontra o verdadeiro amor.

 

Não sente, não vê. Não, não! Nada!

Só ouve, alimentando-se de tal som

De sentimento, subindo a longa escada

 

Tem o efeito e verdadeiro dom

De embalar quem já cansado

Vive a vida, sempre do mesmo lado.

  

Não sente, não vê. Não, não! Nada!

Só ouve, alimentando-se de tal som

..................         De sentimento, subindo a longa escada.

 

 

 

de Eunice Pimentel

 

 

Porque

 

Porque

 

Porque os outros se mascaram mas tu não

Porque os outros usam a virtude

Para comprar o que não tem perdão

Porque os outros têm medo mas tu não

 

Porque os outros são os túmulos caiados

Onde germina calada a podridão.

Porque os outros se calam mas tu não.

 

Porque os outros se compram e se vendem

E os seus gestos dão sempre dividendo.

Porque os outros são hábeis mas tu não.

 

Porque os outros vão à sombra dos abrigos

E tu vais de mãos dadas com os perigos.

Porque os outros calculam mas tu não.

 

                      Sophia de Mello Breyner Andresen

 

 

Encontrei à pouco, à poucochinho

Ou, talvez fosse em um outro dia,

Este belo e proverbial poema de Sophia.

 

Aqui te peço perdão insigne poetisa

Pela vil imagem que esta mente giza 

 

Porque o li, reli e avaliei qual cadinho

Caldeando o pútrido e desleal caminho

Onde pulula ínvio interesse desta freguesia.

 

Porquê? 

 

Poema desconexo, por encomenda ...

 

Desse outro lado do mar

 

Desse outro lado do mar nas ondas vejo

Teu lindo corpo de sereia ondulante.

De tule coberto, sedento de desejo

Despertando-me neste fogo rejubilante.

 

De lá, do horizonte, diáfana, para mim voa

A linda morena Índia, - eu estou na lua!

Ah, … meu coração salta neste peito à toa,

Vislumbrando a rosa vermelha na tez nua.

 

Que este lânguido e quente sol faiscante

Nos inunde e afogue em plena intensidade.

Nos funda e refunda! – E, neste desejo cante

 

O estertor martelado e forte de outra idade.

E o pulsar ribombante para além da razão

Jorre em frémitos ardentes na carne nua!

 

João Pita / 2010

Povo Luso

 

 
 
Ah, simples, nobre e bom povo lusitano
que caminhas, há milénios, os caminhos da utopia
de um dia encontrares o palácio da ilusão, da ventura.
Mero engano oh, português das serranias e da lusitânia
que já navegaste mares para além da Mauritânia.
Hoje, a ânsia desejada da esperança e da ventura, é o que se vê.
Tem o nome de coelho, sarkosi, merkel, FMI e BCE.
Para não falar na troika, portas, cavaco e o ... catano!!
 
... e o raio que os parta a todos (e ninguem nos ouve?)
 
 

Século Velho

 

Poesia Angolana

 

Século Velho

 

Rosto sofrido / esculpido,

Face enrugada / martelada,

Mãos calejadas / marcadas,

Olhar distante / sentido,

Triste, nublado, cansado.

Cabelo ralo / esbranquiçado,

Barba farta / grisalha,

Própria da sua idade

 

Século velho ...

Tão velho como as minhas saudades.

 

 

Necas Carvalho

 

Caravela Sagres St MManuela e Creoula

João Pita

Pescadores, Cédulas marítimas

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